A biografia “Nunca Mais é Muito Tempo”, com lançamento marcado para o próximo dia 9 de abril de 2026, revela detalhes devastadores sobre as últimas horas de vida de Diogo Jota e do seu irmão, André Silva.
Através do testemunho de Rute Cardoso, a obra reconstrói o ambiente de despedida involuntária que marcou o dia 2 de julho de 2025, em Vila Nova de Gaia. O que começou com uma rotina simples de cinema no Arrábida Shopping, jantares em “roulottes” na margem do Douro e momentos de “galhofa” entre amigos, transformou-se, poucas horas depois, no maior pesadelo da história recente do futebol português.
O último contacto entre o casal ocorreu pouco após o início da viagem rumo a Inglaterra. Rute recorda ter enviado uma mensagem a desejar que o marido fosse “com Deus” e pedindo foco na estrada, ao que o jogador do Liverpool respondeu com um simples emoji. Mais tarde, pelas 22h40, Rute tentou partilhar com Diogo o vídeo da surpresa que lhe fizera no casamento — celebrado apenas uma semana antes —, mas a mensagem, embora entregue, nunca chegou a ser lida. O alerta definitivo surgiu quando o hotel em Benavente, onde os irmãos deveriam pernoitar, confirmou que o check-in não tinha sido realizado e as mensagens de WhatsApp deixaram de ser recebidas.
A confirmação da tragédia chegou de forma crua através do tio de Rute, Vítor, que é camionista. Ao telefone, Rute ouviu a frase que congelaria o seu mundo: “Sim, são dois irmãos”. O relato descreve o momento de choque absoluto quando percebeu que os corpos estavam a ser removidos do local do acidente. A negação tomou conta da viúva, que passou o resto da madrugada a caminhar compulsivamente no pátio da casa da irmã. “Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar… Eu só dizia que isto era uma palhaçada e que não podia ser verdade”, confessa Rute, expondo a dor de quem viu uma vida de sonhos ser interrompida num ápice.
Este capítulo da biografia humaniza a figura do internacional português, mostrando que, para lá dos golos em Anfield, Diogo Jota era um homem de afetos simples que aproveitou o seu último dia em Portugal rodeado de quem mais amava. A obra de José Manuel Delgado promete ser um tributo emocional não só aos atletas, mas à resiliência de uma família que, desde aquele julho de 2025, tenta encontrar um caminho através de um luto que parece não ter fim.