O Tribunal de Aveiro trouxe novos esclarecimentos sobre o processo judicial que envolve o jovem de 14 anos acusado de matar a mãe em Vagos.
Segundo um comunicado do juiz presidente da comarca, Jorge Bispo, o pai do menor não apresentou qualquer oposição ou prova contrária à medida tutelar educativa de internamento proposta pelo Ministério Público. Esta ausência de contestação permitiu que o processo avançasse diretamente para a fase de julgamento, sem a necessidade de uma audiência prévia para discutir a medida sugerida.
Contudo, durante as sessões de julgamento, o tribunal sublinhou que a aplicação da medida de internamento não é automática. Mesmo com a confissão do jovem e a concordância do progenitor, o coletivo de juízes composto por um magistrado de carreira e dois juízes sociais considerou necessário avaliar todos os pressupostos legais antes de uma decisão final. O menor permanece, por agora, em regime fechado num centro educativo sob medida cautelar, respondendo por factos que configuram o crime de homicídio qualificado.
O caso, que chocou o país, remonta a 21 de outubro de 2025, na Gafanha da Vagueira. Susana Gravato foi morta a tiro dentro da própria residência, tendo o corpo sido descoberto pelo marido ao chegar a casa. Apesar do alerta imediato e das manobras de reanimação, o óbito foi declarado no local. A investigação da Polícia Judiciária foi célere, identificando o filho do casal como o principal suspeito menos de 24 horas após o crime, o que levou à sua detenção e ao início deste processo tutelar.
O julgamento decorre à porta fechada no Tribunal de Família e Menores de Aveiro para proteger a identidade do jovem. A próxima sessão decisiva está agendada para o dia 10 de abril de 2026, data em que serão ouvidas as últimas testemunhas e apresentadas as alegações finais. Após o encerramento da audiência, o coletivo irá deliberar por maioria sobre o futuro do menor, decidindo se o internamento proposto pelo MP será efetivado como medida educativa definitiva.